Derrame Pleural – O que é? Pode matar? Sintomas e Tratamento


O que é Derrame Pleural (água no pulmão)

O Derrame Pleural ocorre quando há um anormal acúmulo de líquido na cavidade pleural. Essa cavidade é um espaço virtual que existe entre as pleuras visceral e parietal. No caso, elas são separadas por uma fina película de líquido e deslizam uma sobre a outra.

Quando ocorre esse acúmulo, há um aumento na dificuldade do trabalho normal do pulmão. Com isso, a respiração geralmente é gravemente afetada. Em qualquer caso, é essencial fazer o tratamento o mais rápido possível no hospital mais próximo. Lá a equipe profissional irá trabalhar para retirar o excesso de líquido que se forma na cavidade pleural.

Tipos e causas do Derrame Pleural

Existem dois tipos de derrame pleural: o transudato e exsudato. A divisão é feita a partir da composição química do líquido pleural. Para diferenciar um do outro, há alguns critérios únicos. São eles:

Transudato

Este apresenta uma relação entre proteína do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,5. Além disso, possui o DHL no líquido pleural abaixo de 2/3 do limite superior no soro. Também há uma relação entre DHL do líquido pleural e sérica menor ou igual a 0,6.


Exsudato

Nesse caso, a relação entre a proteína do líquido pleural e sérica é maior que 0,5. O DHL no líquido pleural, por sua vez, está acima de 2/3 do limite superior no soro. E a relação entre DHL do líquido pleural e sérica é maior do que 0,6.

CausasDerrame Pleural

Sobre as causas: para ambos os casos, há diferentes modos de contrair Derrame Pleural. No caso de transudato, as causas mais comuns são:

  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Atelectasias;
  • Embolia pulmonar (20% dos derrames pleurais na embolia pulmonar são transudatos);
  • Hipoalbuminemia;
  • Cirrose hepática;
  • Diálise peritoneal;
  • Síndrome nefrótica;
  • Neoplasias (raramente o derrame nas neoplasias e na sarcoidose são transudatos);
  • Glomerulonefrite.
  • Existem outras causas, mas mais raras, que ocasionam o derrame pleural transudato. São elas:
  • Pericardite constritiva;
  • Iatrogenia (infusão de solução pobre em proteínas no espaço pleural);
  • Urinotórax;
  • Mixedema;
  • Obstrução da veia cava superior;
  • Desnutrição;
  • Fístula liquórica para a pleura;
  • Sarcoidose;
  • Procedimento de Fontan (procedimento cirúrgico realizado para corrigir cardiopatias congênitas [atresia tricúspide e coração univentricular], pelo qual a cava superior ou inferior, ou o átrio direito, é anastomosado na artéria pulmonar).

Já o Derrame Pleural Exsudato pode ser contraído de outras maneira:

  • Neoplasia: metastática, mesotelioma;
  • Tromboembolia pulmonar;
  • Doenças infecciosas: infecção bacteriana, infecções por fungos, tuberculose, parasitas e vírus;
  • Doenças cardíacas após cirurgia de revascularização miocárdica, síndrome de Dressler (pós-injúria do miocárdio), doenças do pericárdio, cirurgia de aneurisma de aorta;
  • Colagenoses e outras condições imunológicas: lúpus, artrite reumatóide, eritematoso sistêmico, granulomatose de Wegener, febre familiar do Mediterrâneo, Sjögren, Churg-Strauss;
  • Doenças gastrintestinais: abcesso sub-frênico, pancreatite, abcesso intrahepático, perfuração de esôfago, abcesso esplênico, hérnia diafragmática, esclerose endoscópica de varizes de esôfago (após transplante hepático);
  • Drogas: dantrolene, nitrofurantoína, metisergide, bromocriptina, amiodarona, procarbazina, interleucina 2, metotrexate;
  • Quilotórax: pulmonares e esofágicas, cirurgias cardiovasculares, linfoma, traumas torácicos ou cervicais, outras neoplasias;
  • Hemotórax: iatrogênico, trauma torácico, complicação de anti-coagulação na tromboembolia pulmonar, rupturas vasculares, hemotórax catamenial;
  • Outras: após infarto miocárdico ou pericardiectomia, exposição ao asbesto, após cirurgia de revascularização miocárdica, síndrome das unhas amarelas, síndrome de Meigs, após transplante pulmonar, radioterapia, uremia, pulmão encarcerado, amiloidose, pós-parto, iatrogênico, queimadura elétrica.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco de derrame pleural são algumas doenças já tratadas ou em tratamento. Elas são: Pneumonia, Cânceres com metástases na pleura, Tuberculose, Linfoma, Doenças autoimunes, Embolia pulmonar e Radioterapia.

Além disso, possui hábito de consumo exagerado de cigarro e bebidas alcoólicas também aumenta o risco de sofrer derrame pleural.

Sintomas do Derrame Pleural

Grande parte dos sintomas do derrame pleural tem a ver com os sintomas relacionados à doença que causou o derrame. Desse jeito, conclui que os sintomas são potencializados ou então voltam, caso estivessem desaparecidos.

Deste modo, é difícil estabelecer quais são os sintomas exatos, pois podem ocorrer diversos que podem ser ou não sintomas da doença. Mas, em geral, dor torácica, tosse e dispneia são sintomas comuns, sendo que dor torácica pleurítica é o mais comum. A dor é descrita como uma pontada lancinante e que piora com a inspiração profunda e com a tosse

A tosse, por sua vez, é um sintoma respiratório inespecífico, pois pode estar relacionada a dezenas de doenças. A dispneia, que é quando ocorre alteração do ritmo da respiração, estará presente nos derrames mais volumosos.

Diagnóstico

Como os sintomas são variados e geralmente podem se relacionar com dezenas de doenças, para diagnosticar derrame pleural são necessários alguns exames. A análise da glicose, da amilase e do pH auxiliam no diagnóstico etiológico do derrame pleural. Já a dosagem de proteínas e da desidrogenase lática (DHL) é responsável por diferenciar o tipo transudato do exsudato.

Outros exames para diagnosticar o derrame pleural são: citologia oncótica, biópsia pleural, dosagens imunológicas, ultrassonografia, radiografia de tórax e tomografia computadorizada.

Derrame Pleural tem cura?

Sim, especialmente se tratada a doença que o causou. Apesar disso, é necessário tomar cuidado com essa mesma doença para que o derrame pleural não reapareça, pois pode ser recorrente.

Algumas medidas ajudam a aliviar os sintomas, como drenagem do líquido em excesso na pleura (realizada através de uma toracotomia).

TratamentoDerrame pleural Raio X

O tratamento do Derrame Pleural é inexato, pois para trata-lo é necessário tratar da doença que o causou. Quando a doença desaparece, os sintomas do derrame pleural vão embora juntos.

Isso não é necessariamente bom e nem ruim, pois há doenças simples que causam o derrame e também as graves, como as relacionadas com câncer. Em todos os casos, uma drenagem do líquido pulmonar poderá ser realizada, a fim de evitar maiores complicações respiratórias. Essa drenagem pode ocorrer várias vezes.

Complicações do Derrame Pleural

As vezes há necessidade de cirurgia, fazendo surgir algumas complicações ou sintomas adversos. Os mais conhecidos são:

  • edema pulmonar que pode aparecer depois de uma drenagem muito rápida;
  • infecção e sangramentos nos pulmões ou pleuras decorrentes de cirurgia;
  • infecção generalizada (sepse), dificultando a drenagem do líquido e levando à morte;
  • pneumotórax (raramente) se a pleura for preenchida com ar, aumentando a sensação de falta de ar. Se ocorrer nos dois pulmões, pode levar à morte.

Prevenção

A única maneira de se prevenir do derrame pleural é se prevenindo de todas as doenças que causam ele. Apesar disso, existem algumas medidas que servem como prevenção para todas as doenças. São elas: prática de exercícios físicos, dieta balanceada, não fumar, não exceder no álcool e manter ótimos costumes higiênicos.

Pergunta dos leitores

Derrame Pleural está associado a câncer no pulmão?

Sim. Uma das doenças que podem ocasionar no derrame pleural é o câncer de pulmão. Mas isso não significa que ter câncer pulmonar irá resultar no derrame pleural. Em todos os casos, fique de olho em uma possível potencialização dos sintomas.

Existe algum tratamento do Derrame Pleural com medicamentos?

Não exatamente. Como dito anteriormente, para tratar o derrame pleural é necessário tratar a doença que o causou. Se o derrame for causado por uma doença tratável com medicamentos, então será possível tratar o derrame pleural com medicamentos. Caso contrário, essa possibilidade não existe.

Derrame Pleural pode matar?

Sim. Se não tratada a doença base, o paciente será levado a óbito. Além disso, em muitos casos é necessário fazer a drenagem de líquidos do pulmão, pois ela leva a insuficiência respiratória.