Hidrocefalia – Tipos, Causas, Sintomas, Tratamento e Prevenção

O que é Hidrocefalia?

A hidrocefalia se trata de um excessivo acúmulo de líquidos cefalorraquidianos (LCR) dentro do crânio de um indivíduo. É uma doença grave. Segundo o site Gauchazh, o Brasil pode registrar até 11 casos da doença anualmente. Isso representa um grande problema para a saúde pública do país.

Tipos

Existem 3 tipos diferentes de hidrocefalia. A classificação da doença é baseada nas suas causas. Os 3 tipos de hidrocefalia são:

  • Hidrocefalia obstrutiva: tipo da doença onde ocorre um bloqueio do sistema ventricular do cérebro. Com isso, o LCR é impedido de fluir normalmente pela região cerebral e pela medula espinhal.
  • Hidrocefalia não-obstrutiva: é o resultado da produção baixa ou absorção do LCR.
  • Hidrocefalia de pressão normal: categoria da doença que afeta, especialmente, pessoas idosas. Os motivos costumam ser a presença de outras doenças ou traumas. As causas exatas desse tipo de hidrocefalia, porém, não são totalmente explicadas.

Hidrocefalia Obstrutiva

Na hidrocefalia obstrutiva, o LCR é impedido de fluir normalmente pelo cérebro e medula especial por alguns motivos, como a obstrução do Forame de Monro. Isso pode  ocasionar a dilatação de um ou mais ventrículos laterais do cérebro. Nesse tipo da doença, o aqueduto cerebral pode ficar obstruído por lesões adquiridas geneticamente, como hemorragias ou tumores


Isso leva à dilatação dos ventrículos laterais, além do terceiro ventrículo. Assim quando o quarto ventrículo sofre obstrução, é levado à dilatação dos outros ventrículos. Os Forames de Luschka e Magendie correm sérios riscos de serem obstruídos devido à falhas congênitas de abertura.

Hidrocefalia não-obstrutiva

É ocasionada pela reabsorção do LCR, mas sem nenhuma obstrução entre o fluxo de líquidos e os ventrículos do crânio. Geralmente, esse tipo de hidrocefalia é causada por conta de infecções no sistema nervoso central.

Doenças como meningite e hemorragias cerebrais durante o parto, especialmente de bebês prematuros causam essas lesões. Essas lesões durante ou logo após o parto geram traumas no crânio do bebê.

Outro motivo para o desenvolvimento da hidrocefalia não-obstrutiva é a presença de tumores alocados no sistema nervoso central.

Hidrocefalia de pressão normal

Geralmente, esse tipo de hidrocefalia está relacionada ao impedimento do fluxo correto do LCR na corrente sanguínea. Assim, o indivíduo se torna mais propenso a desenvolver a doença.

Causas como meningites, infecções cerebrais, sangramentos na cabeça e ferimentos facilitam o desenvolvimento da hidrocefalia de pressão normal. Observa-se que esse tipo da doença está mais presente em idosos.

Causas

Hidrocefalia Causas

Na parte interior de nosso cérebro há espaçamentos que são chamados e ventrículos. Tratam-se de cavidades naturais que realizam troca de informações entre si e são preenchidas pelo LCR.

Assim, a hidrocefalia se manifesta quando a quantidade do LCR aumenta no interior do crânio. Com esse aumento anormal do LCR acaba acontecendo a dilação dos ventrículos, que comprimem cérebro contra os ossos do crânio. Isso provoca diversos sintomas que necessitam de tratamentos urgentes, com o objetivo de prevenir danos ainda maiores ao cérebro.

A doença, muitas vezes, pode existir antes do nascimento de um bebê. O problema pode ser detectado por meio de ultrassonografias periódicas.

Causa congênita

São consideradas causas congênitas recém-nascidos que apresentam hidrocefalia, causada durante ou logo após o parto. O bebé apresenta um desenvolvimento anormal do sistema nervoso central. Também pode existir a presença do problema antes do nascimento, como já fora mencionado.

Uma mãe que apresenta a doença também pode transmiti-la ao feto. Além disso, gestantes com sífilis ou rubéola durante a gestação têm chances de aumentar a probabilidade de seus bebês nascerem com hidrocefalia.

Causa adquirida

A hidrocefalia pode ser adquirida ao longo da vida. Entre as principais causas que fazem a doença surgir são:

  • Caxumba;
  • Hepatite;
  • Citomegalovirus;
  • Poliomielite;
  • Toxoplasmose;
  • Hemorragia intraventricular;
  • Cistos;
  • Traumatismos;
  • Tumores;
  • Estenose do Aqueduto Sylvius.

Fatores de risco

Muitos casos de hidrocefalia não tem suas causas detectadas de forma exata. Sabe-se, porém, que muitos problemas de saúde e no desenvolvimento do indivíduo podem deixá-lo mais propenso à hidrocefalia.

Em recém-nascidos, por exemplo, o surgimento da doença costuma se manifestar logo após o nascimento. O desenvolvimento da hidrocefalia nos bebês pode ter como causa o desenvolvimento anormal do sistema nervoso central. Com isso, obstrui-se o fluxo do LCR.

Outro motivo é o sangramento interior dos ventrículos cerebrais. Trata-se de uma complicação causada por parto prematuro.

Infecções no útero materno também podem levar o feto a hidrocefalia. Outro motivo são gestantes que apresentam doenças como sífilis ou rubéola durante a gestação. Tais doenças podem ocasionar inflamações nos tecidos do cérebro do feto, levando à hidrocefalia.

Vale considerar também que são fatores de risco para a adquirir a doença tumores ou lesões no cérebro ou na medula espinhal, além de infecções no sistema nervoso central, Meningite bacteriana, caxumba, sangramentos cerebrais causados por AVC (Acidente Vascular Cerebral), traumatismos cranianos e lesões no cérebro podem levar a doença.

Sintomas

Os sintomas da hidrocefalia variam de acordo com a faixa de idade do doente.



Sintomas em Bebês 
Hidrocefalia em bebês

Nos bebês os principais sintomas da hidrocefalia são:

  • Formato anormal da cabeça; apresentando aumento do crânio;
  • Vômitos;
  • Irritabilidade;
  • Sonolência;
  • Convulsões;
  • Alimentação deficiente;
  • Encolhimento dos olhos, apresentando um olhar fixo, para baixo;
  • Déficits na força muscular;
  • Deficiência no crescimento.

Sintomas em crianças pequenas e crianças mais velhas

Entre os principais  sintomas da hidrocefalia em crianças pequenas e um pouco mais velhas estão:

Hidrocefalia em crianças
  • Dores de cabeça;
  • Aumento anormal da cabeça;
  • Visão embaçada ou dupla.
  • Sonolência;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Dificuldade em acordar ou em permanecer acordado;
  • Sono excessivo;
  • Falta de coordenação motora;
  • Equilíbrio instável do corpo;
  • Falta de apetite;
  • Mudanças comportamentais e cognitivas;
  • Convulsões;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de personalidade;
  • Problemas de falta atenção;
  • Baixo desempenho escolar;
  • Atrasos ou problemas com habilidades já aprendidas, como andar ou falar.

Sintomas em jovens e adultos de meia-idade

hidrocefalia em jovens e adultos

Os sintomas mais comuns de jovens e adultos de meia-idade portadores de hidrocefalia são:

  •  Dores de cabeça;
  • Dificuldades de coordenação motora;
  • Perda do equilíbrio corporal;
  • Sono excessivo;
  • Dificuldade em acordar ou em permanecer acordado;
  • Incontinência urinária;
  • Prejuízos na visão;
  • Visão prejudicada;
  • Déficit na atenção,
  • Falta de concentração;
  • Dificuldades em tarefas que exigem o pensamento.

Sintomas em idosos

hidrocefalia em idoso

Nos idosos, os dentre os principais sintomas em pessoas com mais de 60 anos podemos citar:

  • Perda de memória;
  • Incontinência urinária;
  • Dificuldade em tarefas que exigem raciocínio;
  • Dificuldade em andar, apresentando um caminhas arrastado ou sensação dos pés estarem presos;

Vale ressaltar que tais sintomas são parecidos com os apresentados por outros problemas. Faz-se necessário descartar a presença de outras doenças comuns nessa faixa etária, como Mal de Alzheimer e Mal de Parkinson.

Diagnóstico

Ao procurar um especialista, o mesmo provavelmente suspeitará da presença da hidrocefalia pelos sintomas relatados e apresentados pelo paciente. Porém, alguns exames neurológicos podem ser feitos para confirmar a hidrocefalia. Também são realizados exames complementares para confirmar o diagnóstico ou a presença de outras doenças.

Os exames geralmente solicitados ao paciente para a confirmar da hidrocefalia são:

  • Tomografia;
  • Ultra-som transfontanelar;
  • Ressonância magnética do crânio.

Complicações

As complicações trazidas pela doença, além dos sintomas citados acima, podem variar. Até mesmo os médicos não conseguem prever os todos problemas que a hidrocefalia pode trazer ao portador durante o curso da doença.

Por exemplo, no caso de hidrocefalia congênita, a doença pode acarretar atraso intelectual à criança. Também pode haver retardo no desenvolvimento físico e mental em geral.

Já os adultos que adquirem a hidrocefalia podem apresentar um déficit significativo na memória. Ainda são relatados caso em que o portador adulto de hidrocefalia sofre declínios importantes cognitivos. Eles passam a pensar e se comunicar de forma mais lenta em comparação a quando não tinham a doença.

A Hidrocefalia tem cura? Qual o tratamento?

A doença, infelizmente, não tem cura. Porém, é possível ser controlada e tratada para melhorar a qualidade de vida dos portadores.

Os tratamento para hidrocefalia visam reduzir e prevenir danos ao cérebro. Também tem o objetivo de melhorar o fluxo do LCR.

Em alguns casos é possível realizar cirurgias de correção. Se não for possível ainda existe a opção de ser colocado no cérebro do paciente um tubo flexível. Esse aparato tem como objetivo redirecionar o LCR ao cérebro.

Esse tubo, ainda,  – conhecido como  shunt – tem a capacidade de enviar o LCR para outras partes do corpo.  Uma dos órgãos que recebem o LCR pelo shunt é a barriga, onde o líquor é melhor absorvido.

O tratamento da hidrocefalia ainda pode incluir outras condutas. Uma delas é o uso de antibióticos em casos de infecção.

O profissional médico ainda pode indicar um procedimento chamado Terceiro Ventriculostomia Endoscópica (TVE). O procedimento tem como objetivo aliviar a pressão, mas sem impactar na colocação do shunt.

Além disso, é possível realizar a cauterização ou mesmo a remoção de partes cerebrais que produzem o LCR. Mas vale ressaltar, que o portador da hidrocefalia que submete-se a esse procedimento terá de fazer exames periódicos.

Já nas crianças, se faz necessários exames contínuos. Esses exames visam acompanhar o processo de desenvolvimento da criança portadora de hidrocefalia, verificando se há problemas neurológicos, intelectuais ou físicos.

A importância do paciente aderir ao tratamento da hidrocefalia

No entanto, aderindo aos tratamentos corretos e se submetendo a processos de reabilitação, muitas pessoas vivem normalmente. Elas podem apresentar algumas limitações, mas é possível obter mais e melhor qualidade de vida.

O apoio psicológico e emocional para os portadores da doença, principalmente crianças, também é de extrema importância. Em praticamente todos os municípios do país é possível encontrar esse tipo de apoio.

Ao seguir o tratamento corretamente, os portadores de hidrocefalia passam a apresentar sintomas mais amenos. Existem, inclusive, pacientes que não apresentam nenhum tipo de complicação.

Prevenção

Não há métodos ou condutas possíveis de se evitar a hidrocefalia. Porém, há diversas maneiras de diminuir o impacto dos riscos trazidos pela doença.

Uma conduta extremamente importante diz respeito às gestantes. É imprescindível que se faça o pré-natal para proteger o feto de doenças infecciosas. As mães também não devem deixar de levar seus filhos para tomar as vacinas necessárias – isso evita que trate e até mesmo previna problemas associados à hidrocefalia.